A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), registrou, na noite desta segunda-feira (18), a primeira coleta de órgãos do Hospital Municipal Infantil do Valentina (HMV). O procedimento foi viabilizado após autorização da família do doador, um menino de 4 anos com diagnóstico de condição neurológica congênita.
“Assim que o diagnóstico de morte encefálica foi confirmado, notificamos a Organização de Procuradoria de Órgãos (OPO) e realizamos uma entrevista familiar, recebendo o consentimento da mãe. A partir daí os dados encontrados no ranking nacional do SUS e, após a identificação de receptores compatíveis, uma equipe médica de Pernambuco se deslocou para João Pessoa para realizar a cirurgia em nosso bloco cirúrgico”, explicou o diretor técnico do HMV, Roberto Leitão.
O suporte psicológico e a condução do processo junto aos familiares do doador contaram com a atuação direta da psicóloga Gerlânia Pereira, da Central de Transplantes da Paraíba. Ela destacou o cumprimento dos protocolos de acolhimento e ressaltou que, embora o momento da perda seja de extrema delicadeza, a manifestação prévia do desejo de ser doador facilita a decisão dos pais.
“O acolhimento em uma situação de luto como essa exige sensibilidade, respeito ao tempo dos familiares e suporte técnico durante uma entrevista realizada pela equipe de psicologia. A doação de órgãos e tecidos só acontece mediante a autorização dos parentes. Na prática, o ‘sim’ definitivo é dado pela família, mesmo que uma pessoa manifeste em vida o desejo de ser doadora, se os familiares recusarem após o óbito, o procedimento não é realizado. No caso dessa mãe, o consentimento formal permitiu que a perda fosse revertida em uma oportunidade de atendimento a pacientes pediátricos, um gesto de amor e solidariedade que transforma a dor de uma perda na esperança de novas vidas”, pontuou a psicóloga.


A espera por transplantes em todo o Estado ainda é bastante expressiva, nesse cenário, o procedimento realizado no Hospital Municipal do Valentina, ganha ainda mais relevância, integrando os esforços para viabilizar novas doações de órgãos e tecidos. No segmento da Pediatria, o desafio ainda é maior pela necessidade de compatibilidade anatômica de tamanho e peso entre o doador e o receptor. Esse fator torna as cirurgias estruturadas em unidades infantis fundamentais para ajudar na redução do tempo de fila de transplantes pediátricos do Sistema Único de Saúde (SUS).
“A efetivação desse protocolo comprova que o bloco cirúrgico do Valentina e as equipes multiprofissionais estão estruturadas e capacitadas para responder às intervenções de alta complexidade da rede de saúde. Após a encerramento do ato cirúrgico, a equipe especificação o ‘Corredor da Vida’, protocolando uma homenagem e o agradecimento à mãe do paciente pelo consentimento da doação”, Roberto Leitão.